O sentimento de indignação pautou a fala do presidente da Câmara
Municipal, vereador Otávio Soares (PSB), durante a sessão ordinária
de terça-feira (05), quando ele falou sobre a notícia veiculada na
imprensa local, de que as instalações do Centro de Tradições Gaúchas
(CTG) União Gaúcha João Simões Lopes Neto, avaliado em mais de R$
300 mil, foi a leilão por uma dívida de cerca de R$ 20 mil com o
Escritório Central de Arrecadação de Direitos Autorais (ECAD). O
prédio só não foi arrematado por não ter aparecido nenhum
interessado. Uma nova data para o próximo lance já foi definida: 16
de agosto.
Otávio não admite que os representantes da Casa do Povo fiquem de
braços cruzados e nada façam para evitar tal injustiça. “Não podemos
ficar calados e nada fazer. Temos que impedir que esta centenária
instituição, que é mantenedora dos costumes e das tradições gaúchas,
seja penalizada desta forma”.
Ele pediu o apoio dos demais vereadores para a realização de uma
audiência pública com órgãos ligados ao assunto, buscando a
mobilização de todos para impedir que tal fato ocorra. Será mantido
contato com representantes da Secretaria Municipal de Cultura, do
Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) do Estado, da Confederação
Brasileira da Tradição Gaúcha (CBTG) e do Ministério da Cultura.
“Temos a obrigação e o dever de fazermos um movimento para estudar,
debater e discutir uma maneira de frear a forma abusiva e
irresponsável com que está agindo o ECAD”.
O 1º vice-presidente, vereador Adalim Medeiros, também sugeriu que
os artistas locais façam um movimento para investigar o ECAD. “É um
mistério. Ninguém sabe quanto arrecada e para onde vai o dinheiro.
São poucos os artistas que recebem por suas composições”.
O presidente do Legislativo ressaltou ainda que a União Gaúcha é
considerada Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul,
por força de Lei, e que não pode ter o tratamento de uma instituição
qualquer, sem a devida importância.